5 Sequências que arruinaram o tema/mensagem do filme original

Sequências e remakes são apenas algo que nós, como espectadores, tivemos que aprender a aceitar, gostando ou não. Afinal de contas, caso você não goste de remakes, não é tão difícil rever o filme original que tanto amamos, certo?

Basta algum estúdio perceber que os espectadores gostam muito de algum filme ou de qualquer coisa sobre o filme, que logo irão copiá-lo e revendê-lo para alcançar essa audiência certa. É só lembrar do recente 'O Despertar da Força'.

Mas, às vezes, o filme original contém um sutil tema moral (ou uma mensagem encoberta pela trama principal), que os cineastas estavam tentando passar no meio de todo o enredo principal do filme. E às vezes essa mensagem escapa completamente das mãos do pessoal responsável pela sequência/refilmagem/reboot, que simplesmente decidem ignorar, a fim de abrir espaço para mais ação ou outras invenções que vierem em suas mentes malignas. Malditos produtores.

Então separei aqui, 5 sequências (ou remakes)que arruinaram o tema/mensagem do filme original.

#5. 'Planeta dos Macacos: A Origem'

A mensagem do original: A busca cega da humanidade pela superioridade militar acabará destruindo o planeta.

Hoje em dia o original 'Planeta dos Macacos' de 1968, pode ser considerado meio piegas, possivelmente por causa da maquiagem da época. No entanto, o filme possuiu um final inegavelmente assombroso. Quando o personagem de Charlton Heston escapa dos macacos, ele descobre os restos da estátua da liberdade enterrada na praia. O planeta dos macacos era a Terra o tempo todo, séculos depois de a humanidade se auto-destruir por causa de uma guerra nuclear. É por isso que os macacos dominantes mantem o fato de que os seres humanos foram, uma vez, a espécie dominante em segredo. Eles não querem os macacos indo pelo mesmo caminho auto-destrutivo.


A Nova Mensagem: A humanidade vai destruir a si mesma por perder tempo com a medicina e não por construir armas.

Houveram centenas de sequências, spinoffs e reboots de Planeta dos Macacos , que variam a qualidade de "ótimos" para "horríveis". Mas eu vou comentar sobre o ótimo 'Rise Of The Planet Of The Apes'(Planeta dos Macacos: A Origem).


O filme é um reboot corajoso que nos mostra o início de como o planeta dos humanos, se torna o planeta dos macacos. Não há nenhuma guerra nuclear, seguida pela longa ascensão dos macacos. Aqui vemos uma experiência médica com macacos fracassar, matando a grande maioria da humanidade. Foi na tentativa de criar algum tipo de arma biológica? Não, James Franco queria curar seu pai do Alzheimer. A humanidade não está condenada pela busca irrefletida da violência, mas pela busca da medicina em melhorar o mundo.

#4. 'Jurassic World'

A mensagem do original: A natureza não pode ser controlada pela tecnologia, não importa o quão avançada.

O primeiro Jurassic Park é sobre uma coisa: a teoria do caos.

Como explicado pelo personagem de Jeff Goldblum, a natureza é imprevisível e impossível de controlar. Apesar da nossa melhor tecnologia, somos todos vítimas dos caprichos cruéis do universo, um ponto habilmente demonstrado pelos dinossauros correndo soltos por aí, devorando todos que encontram pela frente. "A vida encontra uma maneira."

A Nova Mensagem: A ciência é, basicamente, mágica, e a natureza vai fazer o que a gente mandar, caramba!

Antes de continuar, eu quero dizer que eu adorei esse filme(minha crítica aqui), mas reconheço o que fizeram dele. Jurassic World já estava cuspindo na cara do original antes mesmo de estrear. Repare nesse pôster do filme:

O parque (um símbolo da arrogância da humanidade) está aberto! Venha e confira! A natureza supostamente misteriosa e indomável, foi vencida pela brilhante ciência, e agora a humanidade fatura milhões, exibindo seu cadáver para a diversão de caipiras.

"Mas Will, Jurassic World é sobre o parque dar errado. É a mesma mensagem em uma escala ainda maior." Mas considere os principais vilões (dinossauros). Em Jurassic Park é o T-Rex, uma enorme e implacável força da natureza que não é nem bom nem mau. Ele apenas é. O tiranossauro no cartaz, é um lembrete constante de que a natureza pode destruir tudo e não há absolutamente nada que você possa fazer sobre isso. Mas o grande mal do Jurassic World é o Indominus Rex , um dinossauro geneticamente modificado que a humanidade deu superpoderes (que pode ficar invisível, mesmo que o principal motivo de sua existência seja se tonar uma atração turística). A única coisa que pode destruir o impressionante novo parque do homem é um monstro que eles mesmos criam. É um símbolo da natureza, o homem absolutamente dominante.


Agora pense sobre como terminam os filmes. Em Jurassic Park, os heróis sobrevivem a um ataque dos Velociraptors, por pura sorte: o tiranossauro estava vagando dentro do salão e atacou os raptors. A força aleatória da natureza convenientemente trabalhando em seu favor neste momento. Em Jurassic World, um T. rex lutando contra o Indominus rex enquanto Chris Pratt ordena que seu raptor treinado se junte à luta. É isso mesmo, o homem dominando um raptor. Há até uma subtrama sobre usá-los como arma militar. Em vez de sobreviver ao ataque da natureza e aprender uma lição valiosa sobre seu incrível poder, nossos heróis usam um conjunto de brinquedos gigantes para parar outro brinquedo gigante que estava se comportando mal.

#3. Rambo II - A Missão

A mensagem do original: A guerra é realmente, realmente uma droga.

Em 'First Blood', Sylvester Rambollone retorna à América depois de servir no Vietnã, onde, após muitas missões de infiltração em campo inimigo, acabou por tornar-se prisioneiro de guerra dos norte-vietnamitas. O cativeiro lhe gerou profundos traumas psicológicos devido à tortura e privações. Depois de ser recebido com escárnio, Rambo é detido injustamente pelo xerife de uma pequena cidade, mas consegue fugir dando início a uma caçada humana. Enquanto a polícia tenta matá-lo, Rambo apenas fere seus perseguidores.


No final, Rambo não vence esta batalha. Ele eventualmente sofre um colapso traumático e é preso, soluçando incontrolavelmente lembrando de seus companheiros mortos. A mensagem é clara: "Olhe para as coisas terríveis que a guerra faz com as pessoas, e olhe para as coisas terríveis que fazemos com as pessoas que os lutam por nós."

A Nova Mensagem: A guerra é demais. Fogo neles.

Não há nenhuma sutileza, ambiguidade moral ou discursos sobre os horrores da guerra. Ele volta para o meio do Vietnã e dá início a uma vingança sangrenta contra os bandidos.


Ex-superiores de Rambo pedem para ele voltar ao país que o traumatizou para confirmar a existência de um punhado de prisioneiros americanos. Ele deveria apenas tirar fotos dos prisioneiros para provar para o governo e para a população que estes existem. Rambo desobedece suas ordens, atira em cada inimigo que ele vê, resgata os prisioneiros e praticamente ganha a guerra do Vietnã.

A mensagem é clara novamente, mas desta vez, é "os vietnamitas estariam ferrados se a América tivesse enviado mais Rambos para matá-los."

#2. Deixe-me Entrar

A mensagem do original: Não há problema em ser diferente, porque alguém lá fora te entende.

Agora vou falar do remake do excelente Let The Right One In. O filme original de 2008, é sobre um solitário e intimidado menino de 12 anos chamado Oskar e sua estranha, mas comovente amizade com o misterioso Eli, que se parece com uma menina de 12 anos, mas, alerta de SPOILER..............., é na verdade um vampiro, que foi castrado duzentos anos atrás.

Eli vive com um senhor de meia idade chamado Hakan, que finge ser seu pai, mas é realmente seu guarda, assassinando pessoas e sangrando-os para alimentar Eli. O que Hakan tem haver com tudo isso? Bem, o filme é um pouco ambíguo, deixando claro que Hakan ama Eli de uma forma, não muito saudável. Mas o livro original deixa explicito que ele é um pedófilo. Eli lhe dá um (tipo de) saída aceitável para seus impulsos, porque os vampiros não são realmente pessoas. É um livro bem sinistro.


De qualquer forma, o filme minimiza a pedofilia, por algum motivo louco, mas ainda há dicas(seu relacionamento é baseado na conveniência, manipulação e obsessão desconfortável, e Eli não mostra emoção alguma quando Hakan morre). Eli salva Oskar dos seus agressores assassinando-os brutalmente, e o vampiro de coração frio e o menino Oskar, fogem para iniciar uma vida melhor e um relacionamento quase romântico. É uma mensagem sobre como até mesmo o mais solitário no meio de nós pode encontrar a felicidade, mesmo se somos ocos, quebrados ou loucos. Ou vampiros. Principalmente essa última coisa.

A Nova Mensagem: Meninas vão literalmente sangra-lo até secar.

O remake americano, Let Me In(Deixe-me Entrar, 2010) é quase uma recriação, cena por cena, do original sueco, aparentemente feito para o benefício dos americanos que simplesmente não suportam ler as legendas. Há algumas pequenas alterações (nomes dos personagens principais são alteradas para Owen e Abby, em vez de Oskar e Eli), mas Let Me In fez uma alteração em particular que acidentalmente ferrou tudo.

Primeiro, vamos olhar o Eli no original:

Eli é interpretado por uma menina(que é dublada por um menino), mas o personagem é realmente um menino. Quando Oskar pede para "ela" ser sua namorada, Eli diz: "Eu não sou uma garota." Mais tarde, Oskar observa Eli saindo do chuveiro e pega um vislumbre de uma cicatriz da castração, em uma das cenas mais desconfortáveis ​​da história do cinema. Entre androginia, mutilação genital e um menino pré-adolescente exibindo tendências bissexuais, a versão americana simplesmente mudou Eli para Abby e fez dela a garota de Kick-Ass.


Então Abby é uma menina, em vez de um menino sendo forçado a fingir que é uma menina. E daí? Bem, zelador de Abby, Thomas (o Hakan do original), em vez de um molestador de vampiro imortal-adolescente(?!), é mostrado como um amigo de Abby desde que ele(Thomas) era um menino. Ele se apaixonou por Abby, e decidiu passar a vida assassinando pessoas para ela se alimentar. Os anos se passaram e el se tornou um homem velho e triste. Abby não é uma vampira colada em circunstâncias incomuns, ela é um manipuladora que impressiona meninos solitários, torna-os seus servos, e então, quando eles estão velhos e usados, encontra outra pessoa.

# 1. Godzilla (Sim, Godzilla)

A mensagem do original: Armas Nucleares não são destinadas a ser manuseadas por qualquer pessoa, e irá destruir o mundo se tentarmos.

A primeiro Godzilla foi dirigido por Ishiro Honda. Honda queria Godzilla para ser um lembrete visual poderoso dos horrores da guerra nuclear. Mas, o que a ficção poderia demonstrar como uma terrível devastação em massa de tais armas? Haviam duas opções: uma reconstituição assustadoramente realista de destruição causada pela guerra ou um lagarto gigante que cospe fogo. Ele escolheu a segunda opção.

No filme original de Honda, Godzilla é despertado de seu sono no fundo do oceano por meio de testes bomba de hidrogênio. O filme começa com a destruição de um barco de pesca, que é uma referência para um teste nuclear norte-americano da vida real que acidentalmente explodiu pescadores japoneses. Godzilla começa a devastar o Japão, e sua fúria aumenta por causa de um governo que prefere estudá-lo e aprender do seu poder do que matá-lo. No final, Godzilla finalmente é morto por uma arma experimental ainda mais poderosa, cujo criador, em seguida, se suicida de modo que a ciência por trás dele vai para a sepultura.


A Nova Mensagem: Olha que impressionante quando monstros gigantes lutam um contra o outro.

Os envolvidos na criação do Godzilla, perceberam que o público japonês tinha geralmente mais interesse ​​em assistir homens em trajes de borracha lutando entre edifícios do que assistir um filme que os fizessem reviver alguns dos momentos mais angustiantes de suas vidas. E assim começaram as constantes continuações de Godzilla. Algumas mantendo o tom sombrio do original, mas a maioria se tornando filmes de ação para toda a família em que Godzilla iria aparecer para ganhar uma luta destrutiva contra outro monstro, fazer algo divertido e excêntrico, e, em seguida, desaparecer no mar.

A franquia se afastou tanto da visão original de Honda, que o remake americano de 2015 lança Godzilla como um antigo mediador de conflitos benevolente, subindo das profundezas do oceano para salvar o mundo de dois outros monstros que comem radiação para permanecer vivo. Bem, o único crime da América foi acidentalmente tropeçar na comida favorita dos monstros.


Ah, e como um pequeno bônus, no filme Pacific Rim de Guillermo del Toro (uma homenagem ao original Godzilla que é dedicado a Honda nos créditos finais), um americano heróico salva todo o planeta da ameaça de invasão dos monstros, detonando uma bomba nuclear na casa dos monstros.

Via Cracked 
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