A Lenda de Tarzan | A Sétima Arte Em Foco


Título: A Lenda de Tarzan/Título: The Legend of Tarzan  Ano: 2016   Diretor: David Yates  Warner Bros

Antes de começar minhas considerações sobre essa mais recente adaptação do herói selvagem, gostaria de relembrar suas origens: Tarzan ou Tarzã é um personagem de ficção criado pelo escritor estadunidense Edgar Rice Burroughs na revista pulp All-Story Magazine em 1912
Com a morte de seus pais, Tarzan é criado por macacos ("manganis", na linguagem dos símios, criada por Burroughs) na África. Seu verdadeiro nome é John Clayton III, Lorde Greystoke. Tarzan é o nome dado a ele pelos macacos e significa "Pele Branca". É uma adaptação moderna da tradição mitológico-literária de heróis criados por animais. Uma destas histórias é a de Rômulo e Remo, que foram criados por lobos e posteriormente fundaram Roma.
Por ter sobrevivido na selva desde sua infância, Tarzan mostra habilidades físicas superiores às de atletas do "mundo civilizado", além de poder se comunicar com os animais.
Dito isso, passemos para as considerações sobre o filme, porque nelas não há qualquer spoiler sobre a produção que já não contenha no histórico do personagem desde o começo do século passado.
Um filme interessante, com uma pegada digna de nossas recordações da infância e emoções tais quais as que tínhamos quando meninos ao assistir os filmes e séries do Tarzan.
Com coadjuvantes a altura de seu protagonista, uma Jane não tão civilizada quanto suas versões anteriores. Aliás, esse foi o “tempero” na medida dessa produção, Jane (Margot Robbie) apesar de uma dama da sociedade no começo do filme, antes fora uma jovem criada na selva conhecedora dos perigos, dos animais e principalmente da lenda que a cercava. O filme também nos apresenta um vilão tão mau quanto o peso do heroísmo recai sobre os ombros de seu protagonista. Christoph Waltz como o Capitão Rom, pronto para cometer atrocidades inumanas sem qualquer peso na consciência, mas o filme tem participações bem descontraídas por assim dizer do Dr. George Washington Williams (Samuel L. Jackson) foi inserido dentro da trama e não deixou a desejar com seu personagem estando na medida.

Diferente de outras versões em que sempre começa a contar de dentro da selva, esse filme mostra o Tarzan como um aristocrata vivendo em sociedade depois de uma vida inteira como selvagem em um bando de gorilas, no que o filme vai se passando, as perguntas e curiosidades vão se dissipando com as lembranças do Sr. John Clayton III (Tarzan).  

  Em seu retorno ao território da Savana selvagem vemos três pessoas andando como quem andam em um parque público numa savana aberta com Gnus e leões a seu redor. Quem não está habituado em ler ou assistir os filmes do Tarzan poderá argumentar, que: “somente uma ficção para a coisa rolar assim”. E daí, eu pergunto? Essa é a verdadeira mágica da sétima arte. Por isso é tão intenso e interessante!
Poderia destacar aqui pontos negativos do filme, mas prefiro me ater nos positivos; afinal, eles fazem toda uma diferença nessa produção, adorei a interpretação do ator Alexander Skarsgård como Tarzan, a cena das crianças e a perplexidade de um dos meninos com a mão do aristocrata inglês, que explica do por que daquela forma de sua mão, sendo um acréscimo importante desse filme. Da interação dele com os animais... 
Do famoso grito, que quando criança, tanto tentei imitar quase estourando os tímpanos de minha querida mãe, que ao meu lado me via assistir a série muito entusiasmado. Do momento em que ele (Tarzan) encontra pela primeira vez a Jane, a cheirando inteira inclusive cheirando (como os animais fazem) suas partes íntimas (Por cima da roupa em galera, ri muito nesse momento), custou-lhe uma surra daquelas para protegê-la do seu líder primata. Da parte em que Kala (eu sempre a chamei de Karla a gorila mãe adotiva de Tarzan) chora por ele... Quando ele foge ainda guri do líder símio e esse bate com seus braços poderosos no chão ao lado do pequenuxo Tarzan encolhido e assustado. 

Do reencontro com sua antiga família primata adotiva... De seu duelo contra seu irmão gorila Akut, onde Tarzan leva uma boa sova e mostra muito respeito à hierarquia selvagem... Do ajuste de contas com o chefe MBonga (Djimon Hounsou) que desejava a vingança contra o herói pela morte de seu filho.
As interpretações cênicas foram um detalhe a parte. Como expectador, achei muito convincente a atuação de Alexandre Skarsgard do ponto de vista do humano-animal, selvagem, os olhares e a comunicação corporal, da maneira como é passada o sentido exato da cena sem precisar de um diálogo como quando está ele, Tarzan, e sua mãe adotiva a gorila Kala. Mesmo eu não sendo ator, posso afirmar pela minha experiência que Tarzan surpreenderá muitos amantes da sétima arte.

Os efeitos de CGI deixam em muito a desejar. É lógico que dentro do contexto da ficção, isso não comprometeu na qualidade do filme em seu todo. Se tivessem usado menos o CGI e com mais empenho de realismo o filme levaria de mim, uma nota 9.2, mas na parte em que os Manganis invadem a tribo Mbonga para proteger Tarzan, percebe-se que foi feito um efeito bem relaxado, visto que os mbongas apontavam suas lanças para espaços vazios que deveria ter símios os cercando e encurralando, mas não tinha. Ficou “porco” o efeito e muito feio, não deu o impacto que se esperava dessa cena.


 O importante aqui para você que está lendo entender, que nada escrito nesse texto é spoiler, e sim apenas um atrativo para que você se inflame a assistir a esse bom filme, afinal a lenda que todos conhecem está nele, são quase duas horas de boa diversão, não se esqueça da pizza, pipoca e guaraná.


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Marcos Coimbra é o criador do Espaço HQ , e colabora aqui no Will,Who.
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