Fullmetal Alchemist e a genealidade de Hiromi Arakawa | Coluna: A Conexão


Não gosto de quando dizem "se você gosta de série é obrigado a ver Game of Thrones" ou "se você é fã de Rock precisa escutar Nirvana", cada um faz o que quer, mas desculpa, se você é fã de animes, Fullmetal Alchemist é obrigatório em sua lista.

Que chato né? Primeira matéria minha aqui, e logo digo o que vocês tem que fazer? Mas não posso deixar de abrir minha coluna semanal no site sem falar de uma das obras mais perfeitas e bem encaixada que já li/assisti e elogiar Hiromi Arakawa por isso.

Por mais que seja um shounnen (anime dedicado ao público infanto-juvenil masculino) Fullmetal Alchemist nos trás algo totalmente diferente dos demais como Naruto ou One Piece, por mais que seja forrado de ação constante, batalhas estrondosas e comédia, essas coisas não ficam cansativas e não se tornam o foco do desenho, uma vez que não tem um exagero empregado a elas e a história dele é o que chamamos de "história planejada" pois não fica pontas soltas, é uma história constante, outros shounnen's é decido e redecidido N vezes os acontecimentos dos próximos capítulos, tudo depende da aceitação do momento atual, e é até por isso que passam de 8 anos de publicação geralmente, ja Fullmetal é aquele tipo de desenho tipo Death Note que aparece uma vez a cada 5 anos, onde o roteiro é predefinido, é uma história curta e tudo muito bem amarrado.

Não sou um adepto a Filosofia, talvez por conta do ensino médio, mas ele é bem empregado no anime, é como ela atuasse como terceiro protagonista de tão importante e palpável que ela se torna para a série. A moral e a distinção do certo e o errado é muito presente na série, mesmo que você escolha acreditar no lado do vilão, podemos entender.

O vilão abre mão dos sete pecados capitais, criando seres chamados "Homúnculos" no qual cada um dos 7 representaria um desses pecados, isso tudo era para se afastar dos humanos e alcançar Deus com sua cartada final, porém sempre notamos que que o "Pequenino do Frasco, Homúnculo" sempre quis aceitação e espaço, tanto que quando ele conseguiu a imortalidade ele também deu a imortalidade ao homem que deu o seu sangue para que ele fosse criado.

Nossos protagonista correm o anime tentando recuperar seus corpos, que perderam ao tentar ressuscitar sua falecida mãe, mas como o princípio da Alquimia é a troca equivalente,  os irmãos perdem seus corpos e falham na transmutação humana. Ambos os personagens tiveram diversas oportunidades para recuperarem seus corpos, mas de forma errada, de maneira que segundo a ideologia e valores deles não era algo certo, e no fim, eles recuperam de uma maneira que nenhum de nós esperávamos.

Temos também uma boa visão de guerra, e como é o exército por dentro, muitas das coisas que vemos acontecendo, como os massacres inspirados diretamente em eventos da primeira e segunda guerra mundial, a busca por poderes dos que estão abaixo, e a busca por mais poder de quem está no topo.

É um anime complexo, que você precisa ler ou assistir pelo menos umas 2 vezes, para pegar tudo, e todos os ganchos que ele tem, mas é belo, e cada vez que você assiste passa a amar mais e apreciar mais a série.

"Levante-se e ande... Você tem duas pernas".

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Jhonatan Cespedes é o criador do Sociedade Geek e colaborador aqui no Will,Who.

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