Círculo de Fogo | Coluna: A Sétima Arte Em Foco



Que filme fantástico! Admito que sempre esperei isso dos super sentais nessa era digital e que viesse deles esses efeitos realistas de monstros chamados na cultura nipônica de Kaijus. É um raciocínio lógico, se com CGI se pôde recriar seres jurássicos como os dinossauros por que não esses seres chamados de Kaijus? Mas sinto que há resistência da parte dos japoneses no que tange a essa questão, talvez por orgulho. O fato é que Guilhermo Del Toro arrasou nessa produção, e há os que dizem que foi uma homenagem aos seriados nipônicos, mas para mim foi uma aula de como fazer bem feito, e muito bem feito mesmo.
Assim deve ser um Mecha (robô gigante), como o Gypsi do filme, me fez lembrar do gigante guerreiro Daileon da série Jaspion, do Robô Gigante da série de 1965, do anime Evangélion, que, diga-se de passagem, esse filme lembra muito e muito mesmo!
E diferente das batalhas das séries infantis japonesas, eu não recomendaria que ninguém deixasse seus filhos, ou netos assistirem as cenas das batalhas entre os Jaeges e Kaijus desse filme, deu medo dos Kaijus e tristeza quando os operadores dos Jaeges eram mortos dentro de seu espaço de controle das máquinas. O diretor Guillermo del Toro não negou sua influência e resolveu transportar para Hollywood um filme mais fiel e de acordo com sua visão das produções nipônicas. 

Seres interdimensionais invadem nosso mundo por uma fenda no Oceano Pacífico e o destino da humanidade está em risco de extinção. É criada uma nova arma para defender o mundo e evitar assim que muitas vidas continuem sendo ceifadas na tentativa de abater os Kaijus. Assim surgiram os Jaegers. Cada Jaeger para ser manipulado, precisa de dois pilotos ligados á uma única mente ligando as duas por um sistema inteligente neural, assim podiam mover os gigantes de aço, pois foi comprovado que um piloto somente não poderia e nem teria força cerebral para mover um gigante desse, esta foi uma das grandes sacadas do longa, mostrando a necessidade de um esforço em conjunto para se obter algo maior e enfatizando toda a ligação que é preciso que os pilotos tivessem. 

Conforme disse, o filme me agradou muito. Lembrei-me de todas as produções japonesas com robôs gigantes (Changeman, Flashman, Jaspion, Power Rangers, entre outros) que vi durante a infância e fiquei feliz por estar assistindo um projeto desta grandeza feito por alguém que realmente gosta do gênero. Nota positiva na coadjuvancia dos dois cientistas tentando salvar o mundo de sua própria maneira. A parte hilária do filme fica com os dois e do traficante de produtos a base de organismos de Kaijus o incrível Ron Perlman, que me fez chorar de tanto rir.
Um outro ponto bastante positivo é que são mostrados pilotos e Jaegers de diferentes nacionalidades, exaltando que salvar a humanidade é um esforço conjunto, e não algo feito por somente um país e seu exército. Isso, sem dúvida é algo muito mais aceitável e convincente do que o apresentado nos filmes Transformers (que enaltece o poderio bélico das forças militares americanas).

Gostei também das atuações na produção, não foi algo que seria uma mega atuação, mas pela proposta valeu o "feijão com arroz" cênico dos atores e seus personagens, alguns personagens ficaram caricatos, me lembrando, a cinematurgia do cinema japonês. Aliás, isso ficou gritante na performance da representante japonesa do elenco: Rinko Kikuchi.

 De qualquer forma, não foi algo que me incomodou muito, principalmente porque este não é o tipo de filme que exige grandes atuações dramáticas.
A trilha sonora é um detalhe a parte! Fiquei com ela tocando em minha mente o tempo todo, permanecendo em minha lembrança até o dia seguinte. Ela literalmente calçou feito uma luva com esse filme, é difícil ver filmes com boas escolhas musicais para suas produções, mesmo escrevendo sobre ela, a danada, olhando os gifs, me vem novamente na cabeça (risos)

Enfim, Círculo de Fogo não é nenhuma obra-prima, é um excelente entretenimento e uma boa válvula de escape para o cotidiano.



Elenco: Charlie Hunnam; Idris Elba; Rinko Kikushi; Charlie Day; Ron Perlman; Bum Goman; Max Martini; Robert Kazinsky.

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Marcos Coimbra é o criador do Espaço HQ , e colabora aqui no Will,Who.

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